LITERATURA E ORALIDADE
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Literatura cordel: leitura compartilhada e recital
É interessante iniciar a atividade com um aquecimento em forma de roda de conversa. Você pode fazer algumas perguntas para levantar conhecimentos prévios da turma sobre o gênero cordel e sobre o texto que será lido: Quem conhece literatura de cordel? Lembra-se de algum título, autor ou trecho de poema? Depois dessa conversa inicial, diga que vão ler um poema de cordel. Comece pelo título: Que ideias ou imagens o título do poema sugere a vocês? Ao ler o poema, considere o ritmo dos versos, observando os sinais de pontuação, as rimas, as aliterações e outros efeitos sonoros que dão cadência ao texto.
Já ouviu um cordelista declamando seus poemas? Veja dois exemplos.No mapa com obras selecionadas pela Plataforma do Letramento, há duas obras de cordel: Meus romances de cordel (Marco Haurélio), e As sete viagens do marinheiro Simbad, (Sérgio Severo). Em ambos, pode-se observar um procedimento muito comum entre escritores: a intertextualidade, isto é, a influência que um texto exerce sobre outro, o diálogo entre obras. Ajude os estudantes a perceber esses diálogos presentes nos textos. No vídeo a seguir, uma professora trabalha com a turma o diálogo entre um soneto de Camões, um texto bíblico e uma canção da banda Legião Urbana.
“Campanha eleitoral”:
“Morreu Maria Preá”:
Depois de uma primeira leitura, é interessante propor que cada estudante escolha outro poema para ler silenciosamente. Você pode trazer vários livretos de cordel e expô-los na sala. (Veja, na Midiateca, dicas de cordel na rede.)
Posteriormente, você pode propor que ensaiem a leitura em voz alta para um recital. Em duplas, um estudante começa declamando para um colega, que pode dar sugestões para melhorar a expressão oral do colega. O recital pode ser organizado por tema, por autor ou outro mote que a turma escolher.
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Tertúlia dialógica literária
Ler e conversar sobre literatura não é coisa só da escola. A tertúlia é uma reunião de pessoas para conversar a respeito de uma obra de literatura, sem o objetivo de ensino, mas com a intenção de criar uma oportunidade para que todos possam expressar seus sentimentos, experiências e opiniões a respeito dos textos de literatura. A ideia é criar um espaço de transformação pessoal por meio de uma prática baseada em princípios dialógicos e não hierárquicos.
A proposta original é que se trate de uma obra da literatura universal, que aborde temas que preocupam toda a humanidade, independente de sua cultura ou época. No entanto, é possível praticar essa atividade com qualquer obra de literatura.
A tertúlia é aberta a qualquer pessoa, de diversos níveis de formação. Todos os participantes devem ter o mesmo direito à fala e ter suas opiniões igualmente respeitadas. Em cada encontro, as pessoas levam trechos que querem comentar do texto que foi escolhido pelo grupo. É necessário haver uma pessoa que organize a conversa, para garantir o direito de expressão a todos. Saiba mais sobre tertúlia literária.
A literatura universal compreende os clássicos da literatura mundial que trazem as questões que preocupam a humanidade, independentemente de época e local, como a morte, o amor, o sentido da vida, o embate entre razão e emoção, a ética, a moral. Conheça alguns clássicos da literatura universal nos vídeos da Univesp, a seguir.Dom Quixote, do espanhol Miguel de Cervantes:
Crime e castigo, do russo Fiódor Dostoiévski:
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Sarau poético
Um sarau poético oferece a oportunidade de trabalhar algumas habilidades de oralidade, como entonação, ritmo e postura diante do público. Também é uma ocasião para aumentar o repertório e estudar poesia.
Além de ouvir os poemas, os jovens podem comentá-los, enriquecendo as apresentações e criando oportunidades de troca de impressões e análises. A leitura pode ser acompanhada de música de fundo, desenhos, vídeos e coreografias inspirados nos poemas. O sarau pode ser um ótimo momento de integração da escola com a comunidade. Veja no Experimente dicas de como organizar um sarau.
Ouvir poemas declamados pode ser muito inspirador e envolvente para os alunos. Há vários CDs e vídeos em que se encontram belas declamações. Veja aqui a declamação do poema narrativo Y Juca Pirama (Gonçalves Dias), ilustrada por um desenho animado. -
Literatura e variação linguística
A variação linguística deve ter um lugar de honra na escola, pois ela nos ajuda a entender quem nós somos. Por isso, é necessário desenvolver uma pedagogia da variação linguística, defende o especialista Carlos Alberto Faraco. A variação linguística é determinada por diversos fatores: aspectos geográficos, históricos, socioeconômicos, culturais etc. A literatura pode ser uma importante aliada no trabalho com oralidade e variação linguística. Algumas sugestões: observar as marcas de variação linguística determinadas pela localização geográfica em obras de autores como Ariano Suassuna (Nordeste), Cora Coralina (Centro-Oeste), Erico Verissimo (Sul); ou as características da fala de personagens em épocas distintas, como as personagens de Caio Fernando Abreu (década de 1970-80) e as de Machado de Assis (segunda metade do século XIX); ou ainda, as marcas indicativas de classe social, como os jovens que vivem na periferia de São Paulo, que figuram em Um segredo no céu da boca (autores da Cooperifa), e o protagonista de O rapaz que não era de Liverpool (Caio Riter), representante de uma juventude urbana de classe média. Veja mais dicas de como trabalhar variação linguística na escola.Navegar pela diversidade de nossa língua é preciso. Conheça nosso Especial Oralidades.